terça-feira, 26 de novembro de 2013

‘Rua do Carreira’ passa a ser ‘Rua do Natal’

Paulo Cafôfo preside à inauguração pelas 18 horas

António Gomes (segundo, na foto, à esquerda) e Paulo Cafôfo, durante uma visita
recente ao Bairro do Hospital


Por PATRÍCIA GASPAR

É uma das primeiras medidas da Junta de Freguesia de São Pedro liderada, há pouco mais de um mês, por um dos rostos da ‘Mudança’ no Funchal, António Gomes. A partir do próximo dia 2 de Dezembro, a histórica Rua da Carreira vai transformar-se na ‘Rua do Natal’ durante 15 dias.

A iniciativa tem por objectivo dinamizar o comércio na zona e quebrar, no entender do autarca, um certo ostracismo a que fica sujeita esta rua no decorrer dos eventos natalícios.
António Gomes lembra que a Rua da Carreira tem interesse turístico e deve, por isso, integrar um programa de animação complementar às actividades centradas na placa central da Avenida Arriaga.

“Queremos criar uma dinâmica, em parceria com os comerciantes locais, para atrair visitantes e responder às necessidades dos turistas que frequentam a Rua da Carreira”, adianta o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro.

Para convencer turistas e madeirenses, a ‘Rua do Natal’ vai disponibilizar bebidas e comidas regionais a “preços convidativos” nos primeiros 15 dias de Dezembro próximo.  Em marcha está também a preparação de algumas iniciativas de animação.

A abertura oficial da ‘Rua do Natal’ fica a cargo do actual presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF). Paulo Cafôfo volta às ruas da capital, onde há bem pouco tempo pediu o voto dos funchalenses. Desta vez, o edil eleito protagoniza uma ronda pelos cafés e restaurantes da Rua da Carreira.

Uma das mais antigas artérias da cidade do Funchal - a existência da Rua da Carreira era já referenciada  em livros no século XVI -  cujo nome é atribuído às corridas de cavalos  deve ganhar novo fulgor comercial com esta iniciativa. Essa é, pelo menos, a ideia da Junta de Freguesia de São Pedro que apela à participação de todos os madeirenses.

As primeiras referências à FLAMA

DOSSIER WIKILEAKS
Por EMANUEL SILVA

Mais vozes do que nozes

Até Agosto de 1975, na visão da Embaixada dos EUA em Lisboa, a Madeira parecia caminhar para a independência. A 6 de Março de 1975, um telegrama sobre os movimentos independentistas nos Açores falava também do Movimento para a Independência da Madeira e dos Açores (MIMA). Mas a visita ao Funchal do diplomata William P. Kelly, realizada em Setembro de 1975, mudou radicalmente a perspectiva da diplomacia norte-americana sobre o assunto.

A discreta visita do diplomata terá mostrado que os separatistas da FLAMA “nunca foram mais do que umas poucas dúzias de pessoas”, “não tinham o apoio das classes trabalhadoras urbanas e rurais que constituíam 80% da população” e que “a imprensa de Lisboa exagerou na importância” dada ao fenómeno separatista.

A primeira referência a movimentos separatistas na Madeira data de 18 de Junho de 1974, menos de dois meses após a revolução. A mensagem é enviada para o Departamento de Estado, em Washington, pelo então embaixador em Lisboa, Stuart Nash Scott, que fala na existência de “dois movimentos independentistas” - o “Movimento de Autonomia das Ilhas Atlânticas (MAIA)”, liderado por José Maria da Silva, e o “Socialistas pela Independência da Madeira (SIM)”.

Mas o diplomata desvalorizou: “São consequência do crescente sentimento de negligência e despreocupação por parte da metrópole face aos problemas locais”, referiu.

A FLAMA, o movimento independentista mais activo, só surge na correspondência diplomática americana mais de um ano depois. A primeira de 15 mensagens com referências a esta organização terrorista tem data de 20 de Agosto de 1975.

No telegrama de Stuart Scott dá-se conta que um médico da Madeira, dono de vários hotéis e ligado aos movimentos separatistas (o nome não é revelado) entrou em contacto com representantes da Embaixada dos EUA em Lisboa para, aparentemente, procurar apoio para a causa independentista.

“Este médico disse que a Madeira, com o seu vinho, turismo e agricultura, podia ser facilmente auto-suficiente, sobretudo porque não teria que enviar os seus impostos para Lisboa (ele estima que apenas um em cada dez escudos enviados para a metrópole retorna à economia das ilhas)”, descreve Stuart Scott no telegrama.

Dá ainda conta de que a sua fonte na ilha chamou à atenção para a importância estratégica do aeroporto do Porto Santo para a NATO e como o mesmo poderia servir de alternativa à Base das Lajes, Açores.

Também Frank Carlucci, num telegrama de 3 de Outubro de 1975, já depois das conclusões feitas pelo envio de Willima Kelly à Madeira, deu conta que a verdadeira luta dos madeirenses não era pela independência mas pela melhoria da qualidade de vida (Autonomia).

“A saída de [Vasco] Gonçalves e a formação do VI Governo Provisório afastaram com eficácia grande parte do incentivo político do movimento independentista madeirense. A maioria dos madeirenses estão convictos que a Autonomia em relação a Portugal vai permitir-lhes resolver os seus problemas económicos”, conclui a mensagem. (CONTINUA... LEIA MAIS AMANHÃ)

Luciano Lombardi em recital de guitarra clássica na CMF



Por LUÍS ROCHA

A iniciativa é da Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira, e realizar-se-á no próximo domingo, dia 1 de Dezembro, nos Paços do Concelho do Funchal.

Um programa ecléctico para os apreciadores de música erudita e, particularmente, desse instrumento fascinante que é a guitarra clássica, é o que propõe a Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira (AACMM), uma das mais prestigiadas instituições de divulgação da música erudita na nossa Região, com um importante papel também no apoio a jovens músicos talentosos.

A comemorar 20 anos de actividade, sob a excelente direcção do professor, musicólogo e pianista Robert Andres, de origem croata mas a residir no Funchal há muitos anos, e um autêntico amante da música que nunca desarma, a AACMM tem provas dadas. E continua a mostrar uma invejável dinâmica, mau grado as dificuldades, num momento em que muitos agentes culturais acusam os efeitos nefastos da crise económica e financeira e o panorama cultural madeirense se ressente em muitos aspectos.

Desta feita, a aposta, para o recital de domingo, 1 de Dezembro às 18 horas, na sala da Assembleia Municipal da Câmara Municipal do Funchal, assenta sobre os ombros do músico italiano Luciano Lombardi.

Será ele o intérprete de obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750), nomeadamente a Chacona em Ré menor BWV 1004; de Niccoló Paganini (1782-1840, extraordinário compositor e violinista), no caso, a Grande Sonata em Lá Maior; de duas peças de Mario Castelnuovo-Tedesco (1895-1968), a 'Canción sul nome di Alirio Diaz', Op. 170 nº40 e a 'Tarantella', Op. 87a; e, finalmente, do notável Joaquin Rodrigo (1901-1999), 'En Los Trigales' e 'Invocation et Danse'.
A finalizar o concerto, o protagonista interpretará uma antologia latino-americana de cinco peças populares.

Os bilhetes para este acontecimento musical podem ser obtidos na CMF, no dia do concerto, a partir das 17 horas. Custam dez euros por pessoa, mas os sócios e os alunos do Conservatório/Escola Profissional das Artes da Madeira Eng. Luíz Peter Clode (CEPAM) e do DSEAM (ex-Gabinete Coordenador de Educação Artística), apresentando o cartão de aluno, verão a entrada ser-lhes franqueada, gratuitamente.

Actualmente docente no CEPAM, onde lecciona guitarra, nem por isso Luciano Lombardi deixou de desenvolver uma sólida carreira concertística internacional, granjeando o aplauso do público e da crítica. Nascido em Piombino, Itália, no ano de 1963, estudou com o célebre Alirio Diaz, que o definiu como artista e virtuoso, e do qual se tornou colega e assistente.
O mais alto grau académico em guitarra clássica foi-lhe concedido pelo Conservatório de Santa Cecília, de Roma. Com Julian Bream e Pepe Romero, aperfeiçoou-se posteriormente, em Florença. Frequentou ainda o Laboratório de Informática Musical de Jean-Baptiste Barriére e Xavier Chabot, do IRCAM de Paris, e estudou música para bandas sonoras cinematográficas com o extraordinário e conhecidíssimo Ennio Morricone, na Accademia Chigiana de Siena.
Ponto marcante no início da sua carreira como guitarrista foi a vitória obtida em diversos concursos internacionais para jovens intérpretes em Itália, como Ancona, Recanati, 'Trofeo Pietro Napoli' de Livorno e Sassari.

No seu currículo contam-se ainda várias masterclasses de guitarra, em locais tão diversos como Ponta Delgada, Eboli ou Praga. Integrou também júris internacionais de guitarra e de música de câmara.

A AACMM prossegue assim, de forma sólida e desafiadora, a sua temporada, afrontando as 'intempéries'. Entre as tempestades de más notícias que se abatem constantemente sobre os portugueses em geral e às quais os madeirenses não escapam, é bom poder contar com esta dinâmica cultural com concertos de qualidade. O espírito atormentado dos contribuintes sempre pode descansar, pelo espaço de uma apresentação, e por um preço módico. A continuar a acompanhar com muita atenção.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Madeira nos documentos confidenciais do Wikileaks

DOSSIER WIKILEAKS
O 'Domínio Público' vai publicar, esta semana, vários artigos sobre os telegramas revelados pelo Wikileaks e onde o nome da Madeira é referenciado.
Com efeito, entre 1973 e 2010, a troca de correspondência diplomática norte-americana revela mais de 300 telegramas em que o nome ‘Madeira’ aparece. Vamos começar pelo período antes do 25 de Abril de 1974.

Por EMANUEL SILVA
A primeira referência à Madeira num documento confidencial é de 22 de Agosto de 1973. Num telegrama do departamento de estado norte-americano para os comandos militares da NATO sob o título ‘negociações sobre os Açores’, fala-se da necessidade de aprovação por parte da NATO de prorrogação da área ‘Iberlant’  (que já incluía a Madeira) para incluir também os Açores.
O segundo telegrama é de 31 de Agosto de 1973 e reporta, desde a embaixada dos EUA em Lisboa, para o departamento de estado norte-americano, a morte de John Noble Miller.
Efectivamente, o então cônsul dos EUA no Funchal, Ronald Garton tinha dado conhecimento à embaixada em Lisboa de que o homem de negócios tinha falecido a 19 de Agosto de 1973 e a dar pormenores sobre a herança.
Em matéria de diplomacia económica/comércio, ainda em 1973, mais precisamente a 5 de Setembro, a embaixada dos EUA em Lisboa, para eventuais candidaturas de empresas interessadas, dá conta de que as autoridades portuguesas (então direcção-geral de aeronáutica civil e turismo) tinham feito um convite a empresas norte-americanas para apresentar propostas de estudos para o aeroporto da Madeira.
A 12 de Setembro de 1973, a embaixada dos EUA em Roma dá conta de uma reunião de empreiteiros interessados em oleodutos. A reunião teria lugar na Madeira, a 2 de Outubro de 1973 e pedia-se os bons ofícios da embaixada em Lisboa para facilitar o encontro.
A 28 de Dezembro de 1973, a embaixada dos EUA em Lisboa informa as suas congéneres em Angola, Moçambique e Espanha de que houve uma tentativa de golpe de estado frustrada em Portugal. E fala de algumas deportações de militares para os Açores e para a Madeira.
A 1 de Janeiro de 1974, o departamento de estado norte-americano dá conta à embaixada em Lisboa de que, segundo o cônsul dos EUA no Funchal, Ronald Garton tinham desaparecido os pertences de um cidadão norte-americano (Skinner), embarcados no navio ‘MC Lena’, no Funchal. A América mandou abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do desaparecimento.
A 13 de Março de 1974, o cônsul dos EUA em Ponta Delgada (Açores) reporta a embaixada norte-americana, em Lisboa, do exílio, nos Açores e na Madeira, de patentes militares. Dá conta de que o jornalista Gustano Moura e a agência ANP tinham indagado o consulado em Ponta Delgada para saber da chegada de militares exilados à base das Lajes.
A 14 de Março de 1974, sob o título “Spínola e Costa Gomes”, a embaixada dos EUA em Lisboa manda um telegrama a várias chefias militares norte-americanas espalhadas pelo mundo relatando que os jornalistas tinham indagado se era verdade que um relatório confidencial de Washington tinha imputado a Américo Thomaz e Marcelo Caetano, exilados na Madeira e Spínola e Costa Gomes, nos Açores, talvez a caminho da Guiné, o golpe militar falhado de 8 de Março (de 1974).
A 15 de Março de 1974, a embaixada dos EUA em Lisboa informa vários departamentos espalhados pelo mundo (desde o Brasil, Angola e Londres) de que a política continuava conturbado em Portugal mas que os generais Spínola e Costa Gomes se haviam comprometido a apoiar Marcelo Caetano. “Nas últimas semanas, 2 a 4 oficiais subalternos, que dizem ser líderes de oficiais de patentes inferiores que tinham em Spínola o seu mentor, foram enviados para os Açores e a Madeira”, revela o telegrama.
A 9, 10 e 11 de Abril de 1974, a embaixada do EUA em Lisboa dá conta da morte, no hotel Reid’s, na Madeira de uma cidadã dos EUA, turista, de 91 anos que residia na Suiça e informa o cônsul na Madeira Ronald Garton e a representação diplomática na Suiça e em Londres dos procedimentos a seguir.
A 23 de Abril de 1974, véspera da Revolução dos Cravos, a embaixada dos EUA em Lisboa ainda dá conta da visita a Angola do padre norte-americano de origem portuguesa, Anthony Rocha, especialista em gerontologia e administração de saúde, com passagem pelos Açores e pela Madeira... (CONTINUA... LEIA MAIS AMANHÃ)

domingo, 24 de novembro de 2013

Alma verde-rubra voltou a ferver o Caldeirão três meses depois e há nova esperança para o futuro

                                                                                                                        DR
MARÍTIMO - 3
GIL VICENTE -2

Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Marítimo respira de alívio e ganha, finalmente, ao fim de seis jornadas. Há dois meses sem vencer, verde-rubros fizeram exibição convincente que só pecou por escassa.

Pressionado para vencer, Pedro Martins apostou, praticamente, no mesmo "onze" - trocou Leoni por Wellington e o castigado Márcio Rozário por Igor Rossi -, equipa que esteve em grande nível em Alvalade e acertou em cheio. O resultado final foi, da mesma forma, 3-2 mas agora com a vitória a sorrir aos verde-rubros. E que vitória!

O nervosismo evidente nas bancadas contrastava com a concentração no relvado dos jogadores que, com uma alma imensa, e uma vontade ainda maior, dominaram toda a primeira parte, com Heldon, aos 13 minutos a traduzir no resultado essa tendência. Uma vantagem que não durou muito já que um dos maiores erros do Marítimo durante todo o jogo - falha de marcação e falta de entendimento entre Rúben Ferreira e Igor Rossi - permitiu ao Gil Vicente voltar a empatar o jogo, por Paulinho.

Os madeirenses não acusaram o golo e Derley, com um cabeceamento fulminante e indefensável, fez explodir um Caldeirão, o que há muito não acontecia.
Contra o corrente do jogo, os homens de Barcelos fizeram o 2-2 num lance bafejado sorte (livre direto marcado por César Peixoto e a bola é desviada por um jogador verde-rubro para o fundo das redes de Wellington.)

No regresso aos balneários - e com Artur no lugar de Weeks - o Marítimo entrou decidido a provar em números que era, de longe, a melhor equipa em campo e o golaço de Alex Soares, aos 55, provou-o. Até ao fim foram os madeirenses que mais estiveram perto do 4-2 do que o Gil Vicente do empate. Oportunidades que, durante os 90 minutos, foram sempre em maior número para os verde-rubros, que pelo que fizeram em campo, mereciam um resultado mais volumoso.

Os verde-rubros não venciam para o campeonato há dois meses e voltaram às vitórias nos Barreiros o que já não acontecia desde a primeira jornada, ou seja, há três meses, quando venceram o Benfica por 2-1.

O Marítimo foi mais pressionante, decidido, esclarecido e bem mais perigoso do que o adversário e conseguiu uma vitória preciosa que retira a equipa do fundo da tabela e, acima de tudo, vem trazer maior motivação a todo o plantel - equipa técnica, inclusive - para os próximos jogos do campeonato. Arouca, fora, e Nacional em casa.

Análise individual (Notas de 0 a 5)

Wellington - 3
O guarda-redes brasileiro não acusou a estreia absoluta no campeonato. Esteve seguro

João Diogo - 3
Menos ofensivo do que Rúben Ferreira mas fechou bem o flanco direito

Gegê - 4
O melhor da defesa. Sempre muito atento na marcação. Cortou um golo certo na 1ª parte

Igor Rossi - 2
Com culpas no primeiro golo do Gil Vicente. Não deu segurança ao eixo defensivo

Rúben Ferreira - 3
Divide culpas com Igor Rossi no 1º golo do Gil Vicente, mas teve um papel ofensivo importante

João Luiz - 3
Incansável no miolo verde-rubro em funções defensivas. Faltou maior acerto nas saídas para o ataque

Theo Weeks - 2
Começou bem o jogo, com muita velocidade, mas com o passar do tempo foi ficando inconsequente

Alex Soares - 4
Exibição personalizada do jovem médio vindo do Benfica, coroada com um grande golo.

Sami - 3
Jogou para o coletivo mas parece menos confiante nas jogadas individuais e nas arrancadas pela linha

Derley - 3
Ponta de lança de grande classe, fundamental nas manobras ofensivas da equipa. E marcou mais um

Heldon - 4
O melhor em campo. Endiabrado, transpira confiança e contagia a equipa. Merecia mais um golo

_____________

Artur - 2
Entrou ao intervalo e não trouxe nada de novo à equipa.

Danilo Pereira -----------
Reforçou o meio campo verde-rubro a dez minutos do fim

Patrick Bauer --------
Poucos minutos em campo

sábado, 23 de novembro de 2013

Pedro Martins pode colocar o lugar à disposição em caso de derrota com o Gil Vicente

                                                                                                                        DR
Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Marítimo tem este domingo jogo decisivo com o Gil Vicente. Uma derrota, segundo apurámos, pode levar o treinador a colocar o lugar à disposição.

A melhoria de rendimento da equipa no último jogo para o campeonato, com o Sporting, em Alvalade, e apesar da derrota por 3-2, não deve servir de atenuante para Pedro Martins, caso perca com o Gil Vicente este domingo às 16 horas, no Estádio dos Barreiros.´

Este sábado, na habitual conferência de imprensa de antevisão à jornada, o treinador verde-rubro assumia: « Não fujo às minhas responsabilidades embora não trace cenários em caso derrota. Mas é claro que se isso acontecer tomarei, evidentemente, a medida adequada». E a medida adequada, segundo apurou o Domínio Público, poderá mesmo passar por colocar o lugar à disposição.

Ora, recuando no tempo, Pedro Martins sempre disse que quando achasse que fosse ele o problema não hesitaria em pôr o lugar à disposição. Disse-o, por exemplo, de forma implícita há um mês, depois da derrota caseira com o Estoril por 3-1, uma derrota que motivou uma reunião mais prolongada com o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, e que terminou com um voto de confiança do líder do clube, apesar de terem sido feitas exigências de mudanças nos métodos de treino da atual equipa técnica.

Vitória como único cenário
Também este sábado, Carlos Pereira, voltava a sublinhar que o lugar de Pedro Martins não estava em perigo, embora tenha colocado sempre a condição imperiosa de vitória no jogo com o Gil Vicente. Três pontos que começam a ser praticamente obrigatórios face ao asfixiante penúltimo lugar da tabela que o Marítimo ocupa neste momento com apenas sete pontos em nove jogos. E o objetivo do clube verde-rubro é, recorde-se, o apuramento europeu.

Do outro lado do campo, este domingo, estará o surpreendente Gil Vicente de João de Deus. A equipa de Barcelos está atrás dos três grandes na tabela, ocupando neste momento o quarto lugar da Liga, com 17 pontos.

ANTÓNIO VICTORINO D’ALMEIDA CRITICA SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA, GESTORES, COMUNICAÇÃO SOCIAL E DJs


 


Por LUÍS ROCHA

Entrevistado pelo ‘Domínio Público’ na sua mais recente passagem pela Madeira, o maestro e compositor critica a gestão cultural do país e não poupa as responsabilidades da comunicação social na mediocridade geral, por vender os DJs como vedetas: “Não reconheço essa profissão”, afirma.

O compositor e maestro António Victorino d’Almeida é taxativo: os gestores são “figuras” que têm sido particularmente “nocivas” ao país – inclusive na área da Cultura, onde têm ajudado, não a conter gastos, mas, pelo contrário, a multiplicá-los. Os políticos e os gestores ao seu serviço têm ajudado a delapidar a nação, inclusive no sector da Cultura, com a conivência de uma comunicação social arredada das questões das artes e das letras e que elevou os ‘disc-jockeys’, vulgo DJs,  a figuras de relevo da cena cultural, baralhando tudo e nivelando pelo mais baixo.

Declarações prestadas ontem ao ‘Domínio Público’, no decorrer da mais recente passagem desta personalidade pela Madeira. Na tarde de sexta-feira, recorde-se, António Victorino d’Almeida esteve no Conservatório/Escola Profissional das Artes da Madeira (CEPAM), para responder às questões colocadas pelos estudantes, e à noite protagonizou um concerto a solo no auditório do Centro de Congressos da Madeira (Casino), no qual deu a conhecer obras suas, não se limitando a interpretá-las, mas falando ao público sobre as mesmas.

Como interveniente multifacetado na vida cultural portuguesa – dado que, além de compositor, tem obra literária publicada, filmes realizados, participou como actor em várias produções e é autor de múltiplos programas de divulgação cultural – António Victorino d’Almeida, com o seu estilo irreverente e despretensioso, é personagem privilegiada para comentar o estado do país e o impacto que a actual crise e gestão orçamental do Estado tem tido na vida criativa da nação. Procurámo-lo com esse objectivo, e não ficámos desiludidos: o maestro continua com o sentido crítico de sempre, que já conhecíamos doutras entrevistas. E não poupou nas apreciações que fez.

DESPREZO PELA CULTURA

Hoje em dia, em Portugal, “por um lado, insiste-se no incentivo à poupança, de todas as formas, e apoia-se a toda e qualquer iniciativa. Por outro lado, despreza-se um sector, a Cultura, que poderia não ser uma enorme fonte de rendimento para o país, mas que, certamente, alguma coisa daria. Agora, acabar com ela é considerá-la apenas uma despesa. E é isso que está a acontecer”, afirma.
O facto de o nosso país assistir presentemente a manifestações que pretendem reclamar a atribuição, ao sector cultural, de pelo menos um por cento do Orçamento de Estado mostra bem em que pé é que as coisas se encontram.

“Volto à velha expressão que ouvi muito, muito antes do 25 de Abril, já por volta dos meus 15, 16 anos: ‘A terra a quem a trabalha’. E a música a quem a trabalha, também. Considero que é necessário expurgar totalmente da Cultura pessoas que não lhe pertencem. Na música devem estar músicos, no teatro pessoas do teatro… Os gestores, para a rua! Rua!”, defende.
É claro que admite que são necessários funcionários que se encarreguem da parte administrativa. “Mas essas pessoas não podem estar na direcção. Têm de ser empregadas de uma instituição que, sendo musical, tem de ser dirigida por músicos, sendo teatral, tem de ser dirigida por actores, encenadores e por aí adiante. Ora, nós estamos enxameados de gestores, de pessoas que perguntamos, quem são? A que propósito é que um teatro, um festival, uma orquestra, uma organização qualquer ligada especificamente ao ramo da Cultura tem à sua frente um senhor que a gente não sabe quem é?”, questiona.

Comentários que, curiosamente, se adequam particularmente bem à nossa realidade regional, onde por exemplo o Conservatório/Escola das Artes tem sido sucessivamente gerido por directores estranhos à cena cultural; onde a Orquestra Clássica da Madeira esteve, até recentemente, sob presidência de um advogado e político, e onde ainda hoje o Governo Regional marca uma posição determinante na gestão, mas não com personalidades reconhecidas da área da Cultura (embora a direcção artística tenha sido atribuída ao violinista madeirense Norberto Gomes); onde Pedro Calado deixou triste memória na Câmara Municipal do Funchal, ao ajudar a extinguir, com a (má) desculpa da contenção orçamental, importantes iniciativas culturais, como os colóquios literários que a saudosa Maria Aurora organizava; e onde é a secretária regional Conceição Estudante a responsável pela pasta da Cultura. Victorino d’Almeida escusa-se a aprofundar comentários sobre a realidade particular da ilha, que diz não conhecer em pormenor nem em actualidade; mas as suas apreciações assentam à Madeira como uma luva.

OS GESTORES PARA A RUA

Em meio aos protestos dos polícias que galgaram as escadarias do parlamento nacional e à polémica que envolve as declarações de Mário Soares e as movimentações de Pacheco Pereira, entre outros assuntos, passou despercebida uma notícia importante, diz-nos: “Parece que para o ano será obrigatório divulgar quanto ganham os gestores. E nessa altura, haverá de verificar-se quão nocivas têm sido essas figuras que não têm credibilidade, não têm competência, não têm conhecimentos, não têm sensibilidade, não têm criatividade”, acusa.

O maestro e compositor garante que “com muito pouco dinheiro podem fazer-se muito boas coisas em matéria de Cultura. Não se trata de miserabilismo, nada disso. Mesmo Fellini pôde fazer um filme como ‘E la nave va’, caríssimo, excelente, e pôde fazer um filme como ‘La Strada’, que custou dez reis de mel coado, e foi igualmente excelente”.

Do mesmo modo, é possível fazer-se música com grandes despesas, e com poucas. Almeida enfatiza o facto de termos actualmente em Portugal uma geração de jovens músicos como nunca houve, “os quais garanto-lhe que não são caros”. Só que a criatividade e a sensibilidade não podem ser entregues às mãos de um gestor.

“Nós, por exemplo, não sabermos como é que se chama o director do Teatro Nacional de São Carlos é muito grave. O S. Carlos custa milhões, e as pessoas nem conhecem o director, nem os gestores que andam à volta dele? Quando se pergunta abertamente se alguém sabe quem é, ninguém sabe. E nem sequer sabemos qual é a programação, ninguém liga... E gastam-se milhões com aquilo. Quando grandes actores, grandes músicos, figuras extraordinárias da nossa Cultura que deram provas absolutas vivem de mão estendida a pedir migalhas, enquanto são aqueles senhores quem manda”.

A brincar um pouco, o nosso interlocutor chega mesmo a admitir que um por cento do Orçamento de Estado para a Cultura se calhar chega e basta para se fazerem coisas válidas. “Se calhar até chega. Agora, tem é que se correr com esta gente da Cultura, e pôr lá pessoas válidas”.

SECRETÁRIO DE ESTADO É UM “GROSSEIRÃO E UM COBARDÃO”

A crítica estende-se ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que este homem da música classifica como um “medroso”, que inclusive se recusa a responder a perguntas colocadas delicadamente e correctamente: “É um grosseirão e um cobardão”, afirma. “É o mínimo que posso dizer do senhor secretário de Estado”, conclui. E não está só nas suas apreciações à actuação de Xavier: muito do mundo cultural português dá-lhe actualmente nota negativa.

Em tempos, recorde-se, António Victorino d’Almeida defendeu a este jornalista, numa entrevista então publicada no Diário de Notícias da Madeira, que a Orquestra Clássica da Madeira deveria manter-se sob tutela da Associação OCM, uma entidade privada. Na altura, Miguel Rodrigues, então director do Conservatório, pretendia obrigar os músicos da OCM, também professores naquele estabelecimento de ensino, a integrar uma orquestra sob a tutela do mesmo. Na prática, tratava-se de retirar músicos à Associação OCM, que subsistia com apoios governamentais. A iniciativa acabou por não ir para a frente, mas criou-se a Fundação Madeira Classic, presidida por José Alberto Gonçalves, que congregava representantes da Associação OCM, do Conservatório e do Governo Regional. Rui Massena era então administrador da Fundação, director artístico da Orquestra Clássica e director artístico do Conservatório. Foi um ‘reinado’ de um homem só, que tudo dominava na cena musical erudita madeirense, mas que por cá pouco parava, mais ocupado com os seus afazeres fora da ilha. Massena acabou por retirar-se, a Fundação acabou extinta, mas dessa época ficou um pesado legado de dívidas, uma Orquestra abandonada por vários músicos e salva ‘in extremis’ pelo Governo Regional da extinção.
No entanto, o Governo acabou, paradoxalmente, por replicar a mesma fórmula da Fundação, ao criar, sob orientação do secretário regional da Educação, Jaime Freitas, a Associação Notas e Sinfonias do Atlântico, ANSA, que no seu interior, qual ‘matrioska’, contém novamente representantes do Conservatório, do Governo e da Associação OCM. Esta última instituição é que acabou por perder significativo poder e influência sobre a Orquestra, tendo de negociar uma solução alternativa, a contragosto.

MADEIRA PRECISA DE UMA ORQUESTRA SINFÓNICA

Num comentário mais actualizado sobre esta situação, António Victorino d’Almeida congratulou-se ao ‘Domínio Público’ pelo facto de Norberto Gomes ter ficado com as responsabilidades artísticas e de programação da temporada: “Acho muito bem que seja um músico da ilha a ter essas responsabilidades. Agora, se houver alguém acima dele a controlar a sua actividade e as suas escolhas, entidades no Governo que mandam nele, isso não sei, será mau”, declara. “Mas o facto de o terem nomeado para o cargo que ocupa é positivo, porque é um profissional com tarimba, sabe o que é a música, sabe escolher programas”.
De qualquer modo, insiste na importância da Madeira não deixar cair a sua Orquestra Clássica – e continua, mesmo, como no passado o fez, a insistir na necessidade de a aumentar para uma Orquestra Sinfónica.

Sendo a Região uma terra de turismo com uma certa qualidade, se se prescindir também de manter um determinado nível na música erudita, está-se a desperdiçar um potencial. Aliás, em termos de orquestras sinfónicas em Portugal, Victorino d'Ameida chega mesmo ao ponto de afirmar que “estamos a dar uma imagem de trogloditas na Europa”. E exemplifica: em Espanha há 37 orquestras sinfónicas. Na Albânia há cinco. Na Turquia há sete.
“Portugal é o único país que eu conheço nesta situação de carência. É uma vergonha. A Madeira, que é um centro turístico, com um turismo que não é propriamente de ‘pé descalço’, desprezar uma orquestra sinfónica é algo que… sou totalmente contra. Deveria existir uma orquestra sinfónica, que seria uma mais-valia para o turismo. Tenho de defender a minha dama, que é a música. Portugal tem de ter mais e melhores orquestras. Tem de defender os seus valores, e eu sou intransigente defensor desse valor cultural imprescindível em qualquer país civilizado, que é uma orquestra sinfónica”.
O maestro frisa que isso não é uma posição elitista: “As pessoas conhecem o meu modo ser, inclusive de amante do futebol. Não sou elitista”. Mas há coisas que não devem ser encaradas como despesas, mas como mais- valias, insiste.

Questionado sobre o modo como a emigração que actualmente se sente em Portugal tem afectado o mundo da música, Victorino d’Almeida admite que o fenómeno se tem feito sentir, mas deixa transparecer que muitos dos nossos valores têm permanecido cá por uma circunstância “um bocado perversa”: o facto de o mercado para músicos nas orquestras europeias, e não só, ser extremamente difícil e concorrencial.
“Não é fácil um jovem músico português ir para o estrangeiro”, constata. A maioria dos lugares está ocupada.

COMUNICAÇÃO SOCIAL É ‘PAROLA’ EM MATÉRIA DE CULTURA

Porém, precisamente neste enquadramento, o que realmente considera lamentável é que a comunicação social nacional tenha pura e simplesmente ignorado o facto de dois jovens músicos portugueses terem conseguido ser seleccionados para a Orquestra Sinfónica de Berlim, “que é a mais difícil orquestra, para se entrar”.

“É vergonhoso”, sublinha. “Comparando com o futebol, isso é exactamente a mesma coisa que ser contratado para a primeira equipa do Barcelona ou do Real Madrid. Mas nenhum jornal nem televisão disse nada, por parolice, porque são parolos! Porque isto era de pôr na primeira página! Isto é o que mostra o que temos, a comunicação social que, lamento muito dizê-lo, está ao nível do nosso Governo”.
E prossegue, criticando “aquelas bodegas que nos apresentam diariamente, com que martelam as pessoas… Drogam as populações. Tudo serve para fabricar vedetas extraordinárias, até o pior rockeiro… porque os bons, eu conheço-os! E, pior que isso, são os DJs, que é uma profissão que eu não reconheço!  Há duas profissões que eu não reconheço:  a de DJ e a de homem-estátua (risos). Por maior que seja o meu sentido democrático”.
“De repente, eu tenho de ver um músico ao lado de um DJ, como se ambos fossem o mesmo… Lamento muito, mas o meu sentido de democracia não vai tão longe. Não exageremos. Sou a favor do entretenimento, da diversão, das pessoas dançarem, cantarem, irem beber uns copos, se quiserem… Mas isso é entretenimento, não é Cultura”, denuncia. E a comunicação social lusa não devia tratar Cultura e entretenimento por igual.

Finalmente, quanto à atenção dedicada pelo público à sua produção cultural, que é vasta, o nosso entrevistado não tem queixas: tem sido sempre bem acolhido.
“Eu seria de uma injustiça e de uma ingratidão total se dissesse que o público não me apoia. Isso não é verdade. Em 2011 fiz vinte e tal concertos pelo país, que se cifraram em cerca de 14 mil pessoas. É bom”, constata, feliz pelo interesse demonstrado.