quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Carlucci, o separatismo, julgamento popular em Machico e suspensão de programa de rádio

DOSSIER WIKILEAKS
Por EMANUEL SILVA

 (...) Os relatos do ‘Verão quente’ de 1975 foram feitos em telegramas confidenciais do então embaixador dos EUA em Lisboa, o diplomata Frank Carlucci (embaixador entre Dezembro de 1974 e Fevereiro de 1978). Cita a Madeira em cerca de cinco dezenas de mensagens que enviou para o Departamento de Estado, em Washington.
A organização do controverso Julian Assange encarregou-se de divulgar mais de dois milhões de telegramas da diplomacia norte-americana, entre eles mais de 300 a falar da Madeira no período compreendido entre 1973 e 2010.
A 4 de Março de 1975, um telegrama dava conta da suspensão por três dias de um programa de rádio na Madeira por “pública ofensa à unidade militar, disciplina e hierarquia”. O programa dava voz a apoiantes da UPM.
Num dos telegramas confidenciais de Carlucci, com data de 10 de Setembro de 1975, dá-se conta da actividade dos movimentos separatistas na Madeira. O sumário do telegrama intitulado ‘Independência da Madeira’ dizia o seguinte: “A actividade separatista está a criar um clima de tensão na Madeira. A cobertura da situação por parte da imprensa de Lisboa é extensa”.
O telegrama com as palavras-chave ‘Madeira, Situação política, comentários de imprensa, auto-determinação’ foi dirigido a várias entidades entre elas ao comando das Forças americanas nos Açores, ao comandante-chefe do Atlântico, ao comando militar na Virgínia, ao comandante-chefe na Europa e na Alemanha, à Agência Inteligente de Defesa, ao Departamento de Estado Norte-Americano quer em Paris (França) e em Bona (Alemanha), e à NATO.
O relato do “clima de tensão” inclui o famoso episódio da detenção e ‘julgamento popular’ de cinco jovens em Machico. Na altura, a 4, 5 e 6 de Setembro de 1975, as confrontações entre a extrema-esquerda e os separatistas, levou à intervenção do então governador da Madeira, general Carlos Azeredo, para estancar o linchamento de cinco jovens que tinham sido acusados de pintar murais separatistas em Machico.
O clima era ‘quente’ por parte do movimento União do Povo da Madeira (UPM), com ligações à UDP e ao padre Martins Júnior (então presidente da Câmara de Machico). A mando de Carlos Azeredo –etiquetado pela UPM de ‘Spinolista’- os militares tiveram de intervir e de usar gás lacrimolégio. Resultado: seis feridos.
A actividade da Frente de Libertação da Madeira (FLAMA) estava ao rubro, sendo acusada de colocar bombas em nome da luta pela independência do arquipélago. Carluci dá conta de que a cobertura noticiosa de então era “geralmente factual, com ênfase na análise das raízes socioeconómicas do separatismo”.
Para além da série de atentados separatistas, o telegrama de Carlucci relata ainda o episódio da “multidão separatista” que forçou a partida da ilha do Porto Santo, de um professor continental considerado “progressista”.
Num outro telegrama Carlucci informava que a FLAMA tinha “armas e homens (veteranos da guerra em África) preparados para as utilizarem” e que reivindicava a autoria de um atentado à bomba contra as instalações da Emissora Nacional no Funchal. (CONTINUA... LEIA MAIS AMANHÃ)
 

Uma mosca no conclave

A propósito do 'afastamento recente' de Bertone e das palavras de hoje (ontem) de Francisco, sobre o capitalismo, sabendo-se o que se sabe sobre o Vaticano (riqueza) e das suas ligações menos 'católicas'



OPINIÃO
FERNANDO MANUEL LETRA

Se não aconteceu, podia ter acontecido.
O relato de uma mosca no conclave. ... Há oito anos, Jorge Mario Bergoglio teve de pedir aos outros cardeais para deixarem de votar no seu nome, para que um novo Papa fosse eleito. Com efeito, desde o início do conclave de 2005, e embora Joseph Ratzinger tivesse uma vantagem confortável sobre o segundo nome mais votado, a persistência de alguns cardeais em votar no nome do argentino não permitia a necessária vantagem de dois terços para que o nome do alemão desse origem a fumo branco. Foi preciso que Bergoglio, literalmente em lágrimas, pedisse que não votassem mais em si para ultrapassar o 'imbróglio'. Ratzinger ganhou, e tornou-se Bento XVI, mas oito anos depois resignou, por cansaço - oficialmente -, por outras razões mais obscuras segundo várias fontes. Desta vez, em 2013, essa questão não se pôs. Desde a primeira votação que Bergoglio se destacou. Os cardeais 'repetentes' - em relação ao conclave de 2005, mantiveram-se 46 cardeais (22 da Europa, 16 da América, 4 de África, 3 da Ásia e 1 da Oceânia) - que apoiavam o argentino desta vez não cederam e, desde o início, mostraram que não recuariam perante os outros blocos de interesses. E se, na primeira emissão de fumo negro, havia ainda vários 'papabili' com hipóteses, o desenrolar das votações seguintes veio a mostrar que o segundo lugar de Bergoglio em 2005 não tinha sido por acaso. A facção adepta do arcebispo de Buenos Aires, com o brasileiro Cláudio Hummes à cabeça, foi convincente e conseguiu arrebanhar mais e mais votos a favor do seu candidato, à medida que os fumos negros se seguiam. O 'lobby' americano (33 cardeais eleitores) consegue 'meter uma lança' em África (11) e também na Ásia (10) e Oceânia (1) e assim fazer frente ao 'grupo' europeu (60). De nada adiantou a vontade do colégio cardinalício italiano em pretender voltar a ter no trono de Pedro um Papa do país da bota. As hipóteses começavam a ser escassas, com as votações no argentino a aumentarem na continuação dos escrutínios. Se, no início, haveria algum equilíbrio entre três ou quatro cardeais - com dois italianos (Bertoni e Scola) a dividirem entre si as preferências 'europeias' -, nos momentos que se seguiram foi notório que a ala americana não iria desistir e que alguém teria de ceder. Segundo os rumores, Bergoglio alcançou na última votação mais de 90 votos dos 115 cardeais presentes. Consumada a eleição, Cláudio Hummes abraça Bergoglio, beija-o na face e sussurra-lhe ao ouvido: “Não te esqueças dos pobres”. À cabeça do argentino vem uma imagem; estava encontrado o novo Papa... Francisco. Quer queiramos ou não, há muita 'política' envolvida na eleição de um novo Papa, e desta vez não houve novidades. Corre o rumor que para um Papa não europeu tem de haver um secretário 'de Estado' italiano, que será responsável pelo banco mais poderoso do mundo - o do Vaticano... Ter-se-á chegado a um consenso? Isso é o que vamos ver nos próximos dias, com a nomeação dos novos assessores do Papa. Bertone é o actual responsável pelas finanças da Igreja Católica e, sem conseguir a nomeação para chefe máximo da congregação, tudo indica que lá continuará, ou será substituído por outro italiano, para que tudo fique na mesma... Não foi exactamente assim que aconteceu? Talvez. Mas poderia ter sido...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

‘Rua do Carreira’ passa a ser ‘Rua do Natal’

Paulo Cafôfo preside à inauguração pelas 18 horas

António Gomes (segundo, na foto, à esquerda) e Paulo Cafôfo, durante uma visita
recente ao Bairro do Hospital


Por PATRÍCIA GASPAR

É uma das primeiras medidas da Junta de Freguesia de São Pedro liderada, há pouco mais de um mês, por um dos rostos da ‘Mudança’ no Funchal, António Gomes. A partir do próximo dia 2 de Dezembro, a histórica Rua da Carreira vai transformar-se na ‘Rua do Natal’ durante 15 dias.

A iniciativa tem por objectivo dinamizar o comércio na zona e quebrar, no entender do autarca, um certo ostracismo a que fica sujeita esta rua no decorrer dos eventos natalícios.
António Gomes lembra que a Rua da Carreira tem interesse turístico e deve, por isso, integrar um programa de animação complementar às actividades centradas na placa central da Avenida Arriaga.

“Queremos criar uma dinâmica, em parceria com os comerciantes locais, para atrair visitantes e responder às necessidades dos turistas que frequentam a Rua da Carreira”, adianta o presidente da Junta de Freguesia de São Pedro.

Para convencer turistas e madeirenses, a ‘Rua do Natal’ vai disponibilizar bebidas e comidas regionais a “preços convidativos” nos primeiros 15 dias de Dezembro próximo.  Em marcha está também a preparação de algumas iniciativas de animação.

A abertura oficial da ‘Rua do Natal’ fica a cargo do actual presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF). Paulo Cafôfo volta às ruas da capital, onde há bem pouco tempo pediu o voto dos funchalenses. Desta vez, o edil eleito protagoniza uma ronda pelos cafés e restaurantes da Rua da Carreira.

Uma das mais antigas artérias da cidade do Funchal - a existência da Rua da Carreira era já referenciada  em livros no século XVI -  cujo nome é atribuído às corridas de cavalos  deve ganhar novo fulgor comercial com esta iniciativa. Essa é, pelo menos, a ideia da Junta de Freguesia de São Pedro que apela à participação de todos os madeirenses.

As primeiras referências à FLAMA

DOSSIER WIKILEAKS
Por EMANUEL SILVA

Mais vozes do que nozes

Até Agosto de 1975, na visão da Embaixada dos EUA em Lisboa, a Madeira parecia caminhar para a independência. A 6 de Março de 1975, um telegrama sobre os movimentos independentistas nos Açores falava também do Movimento para a Independência da Madeira e dos Açores (MIMA). Mas a visita ao Funchal do diplomata William P. Kelly, realizada em Setembro de 1975, mudou radicalmente a perspectiva da diplomacia norte-americana sobre o assunto.

A discreta visita do diplomata terá mostrado que os separatistas da FLAMA “nunca foram mais do que umas poucas dúzias de pessoas”, “não tinham o apoio das classes trabalhadoras urbanas e rurais que constituíam 80% da população” e que “a imprensa de Lisboa exagerou na importância” dada ao fenómeno separatista.

A primeira referência a movimentos separatistas na Madeira data de 18 de Junho de 1974, menos de dois meses após a revolução. A mensagem é enviada para o Departamento de Estado, em Washington, pelo então embaixador em Lisboa, Stuart Nash Scott, que fala na existência de “dois movimentos independentistas” - o “Movimento de Autonomia das Ilhas Atlânticas (MAIA)”, liderado por José Maria da Silva, e o “Socialistas pela Independência da Madeira (SIM)”.

Mas o diplomata desvalorizou: “São consequência do crescente sentimento de negligência e despreocupação por parte da metrópole face aos problemas locais”, referiu.

A FLAMA, o movimento independentista mais activo, só surge na correspondência diplomática americana mais de um ano depois. A primeira de 15 mensagens com referências a esta organização terrorista tem data de 20 de Agosto de 1975.

No telegrama de Stuart Scott dá-se conta que um médico da Madeira, dono de vários hotéis e ligado aos movimentos separatistas (o nome não é revelado) entrou em contacto com representantes da Embaixada dos EUA em Lisboa para, aparentemente, procurar apoio para a causa independentista.

“Este médico disse que a Madeira, com o seu vinho, turismo e agricultura, podia ser facilmente auto-suficiente, sobretudo porque não teria que enviar os seus impostos para Lisboa (ele estima que apenas um em cada dez escudos enviados para a metrópole retorna à economia das ilhas)”, descreve Stuart Scott no telegrama.

Dá ainda conta de que a sua fonte na ilha chamou à atenção para a importância estratégica do aeroporto do Porto Santo para a NATO e como o mesmo poderia servir de alternativa à Base das Lajes, Açores.

Também Frank Carlucci, num telegrama de 3 de Outubro de 1975, já depois das conclusões feitas pelo envio de Willima Kelly à Madeira, deu conta que a verdadeira luta dos madeirenses não era pela independência mas pela melhoria da qualidade de vida (Autonomia).

“A saída de [Vasco] Gonçalves e a formação do VI Governo Provisório afastaram com eficácia grande parte do incentivo político do movimento independentista madeirense. A maioria dos madeirenses estão convictos que a Autonomia em relação a Portugal vai permitir-lhes resolver os seus problemas económicos”, conclui a mensagem. (CONTINUA... LEIA MAIS AMANHÃ)

Luciano Lombardi em recital de guitarra clássica na CMF



Por LUÍS ROCHA

A iniciativa é da Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira, e realizar-se-á no próximo domingo, dia 1 de Dezembro, nos Paços do Concelho do Funchal.

Um programa ecléctico para os apreciadores de música erudita e, particularmente, desse instrumento fascinante que é a guitarra clássica, é o que propõe a Associação dos Amigos do Conservatório de Música da Madeira (AACMM), uma das mais prestigiadas instituições de divulgação da música erudita na nossa Região, com um importante papel também no apoio a jovens músicos talentosos.

A comemorar 20 anos de actividade, sob a excelente direcção do professor, musicólogo e pianista Robert Andres, de origem croata mas a residir no Funchal há muitos anos, e um autêntico amante da música que nunca desarma, a AACMM tem provas dadas. E continua a mostrar uma invejável dinâmica, mau grado as dificuldades, num momento em que muitos agentes culturais acusam os efeitos nefastos da crise económica e financeira e o panorama cultural madeirense se ressente em muitos aspectos.

Desta feita, a aposta, para o recital de domingo, 1 de Dezembro às 18 horas, na sala da Assembleia Municipal da Câmara Municipal do Funchal, assenta sobre os ombros do músico italiano Luciano Lombardi.

Será ele o intérprete de obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750), nomeadamente a Chacona em Ré menor BWV 1004; de Niccoló Paganini (1782-1840, extraordinário compositor e violinista), no caso, a Grande Sonata em Lá Maior; de duas peças de Mario Castelnuovo-Tedesco (1895-1968), a 'Canción sul nome di Alirio Diaz', Op. 170 nº40 e a 'Tarantella', Op. 87a; e, finalmente, do notável Joaquin Rodrigo (1901-1999), 'En Los Trigales' e 'Invocation et Danse'.
A finalizar o concerto, o protagonista interpretará uma antologia latino-americana de cinco peças populares.

Os bilhetes para este acontecimento musical podem ser obtidos na CMF, no dia do concerto, a partir das 17 horas. Custam dez euros por pessoa, mas os sócios e os alunos do Conservatório/Escola Profissional das Artes da Madeira Eng. Luíz Peter Clode (CEPAM) e do DSEAM (ex-Gabinete Coordenador de Educação Artística), apresentando o cartão de aluno, verão a entrada ser-lhes franqueada, gratuitamente.

Actualmente docente no CEPAM, onde lecciona guitarra, nem por isso Luciano Lombardi deixou de desenvolver uma sólida carreira concertística internacional, granjeando o aplauso do público e da crítica. Nascido em Piombino, Itália, no ano de 1963, estudou com o célebre Alirio Diaz, que o definiu como artista e virtuoso, e do qual se tornou colega e assistente.
O mais alto grau académico em guitarra clássica foi-lhe concedido pelo Conservatório de Santa Cecília, de Roma. Com Julian Bream e Pepe Romero, aperfeiçoou-se posteriormente, em Florença. Frequentou ainda o Laboratório de Informática Musical de Jean-Baptiste Barriére e Xavier Chabot, do IRCAM de Paris, e estudou música para bandas sonoras cinematográficas com o extraordinário e conhecidíssimo Ennio Morricone, na Accademia Chigiana de Siena.
Ponto marcante no início da sua carreira como guitarrista foi a vitória obtida em diversos concursos internacionais para jovens intérpretes em Itália, como Ancona, Recanati, 'Trofeo Pietro Napoli' de Livorno e Sassari.

No seu currículo contam-se ainda várias masterclasses de guitarra, em locais tão diversos como Ponta Delgada, Eboli ou Praga. Integrou também júris internacionais de guitarra e de música de câmara.

A AACMM prossegue assim, de forma sólida e desafiadora, a sua temporada, afrontando as 'intempéries'. Entre as tempestades de más notícias que se abatem constantemente sobre os portugueses em geral e às quais os madeirenses não escapam, é bom poder contar com esta dinâmica cultural com concertos de qualidade. O espírito atormentado dos contribuintes sempre pode descansar, pelo espaço de uma apresentação, e por um preço módico. A continuar a acompanhar com muita atenção.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Madeira nos documentos confidenciais do Wikileaks

DOSSIER WIKILEAKS
O 'Domínio Público' vai publicar, esta semana, vários artigos sobre os telegramas revelados pelo Wikileaks e onde o nome da Madeira é referenciado.
Com efeito, entre 1973 e 2010, a troca de correspondência diplomática norte-americana revela mais de 300 telegramas em que o nome ‘Madeira’ aparece. Vamos começar pelo período antes do 25 de Abril de 1974.

Por EMANUEL SILVA
A primeira referência à Madeira num documento confidencial é de 22 de Agosto de 1973. Num telegrama do departamento de estado norte-americano para os comandos militares da NATO sob o título ‘negociações sobre os Açores’, fala-se da necessidade de aprovação por parte da NATO de prorrogação da área ‘Iberlant’  (que já incluía a Madeira) para incluir também os Açores.
O segundo telegrama é de 31 de Agosto de 1973 e reporta, desde a embaixada dos EUA em Lisboa, para o departamento de estado norte-americano, a morte de John Noble Miller.
Efectivamente, o então cônsul dos EUA no Funchal, Ronald Garton tinha dado conhecimento à embaixada em Lisboa de que o homem de negócios tinha falecido a 19 de Agosto de 1973 e a dar pormenores sobre a herança.
Em matéria de diplomacia económica/comércio, ainda em 1973, mais precisamente a 5 de Setembro, a embaixada dos EUA em Lisboa, para eventuais candidaturas de empresas interessadas, dá conta de que as autoridades portuguesas (então direcção-geral de aeronáutica civil e turismo) tinham feito um convite a empresas norte-americanas para apresentar propostas de estudos para o aeroporto da Madeira.
A 12 de Setembro de 1973, a embaixada dos EUA em Roma dá conta de uma reunião de empreiteiros interessados em oleodutos. A reunião teria lugar na Madeira, a 2 de Outubro de 1973 e pedia-se os bons ofícios da embaixada em Lisboa para facilitar o encontro.
A 28 de Dezembro de 1973, a embaixada dos EUA em Lisboa informa as suas congéneres em Angola, Moçambique e Espanha de que houve uma tentativa de golpe de estado frustrada em Portugal. E fala de algumas deportações de militares para os Açores e para a Madeira.
A 1 de Janeiro de 1974, o departamento de estado norte-americano dá conta à embaixada em Lisboa de que, segundo o cônsul dos EUA no Funchal, Ronald Garton tinham desaparecido os pertences de um cidadão norte-americano (Skinner), embarcados no navio ‘MC Lena’, no Funchal. A América mandou abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do desaparecimento.
A 13 de Março de 1974, o cônsul dos EUA em Ponta Delgada (Açores) reporta a embaixada norte-americana, em Lisboa, do exílio, nos Açores e na Madeira, de patentes militares. Dá conta de que o jornalista Gustano Moura e a agência ANP tinham indagado o consulado em Ponta Delgada para saber da chegada de militares exilados à base das Lajes.
A 14 de Março de 1974, sob o título “Spínola e Costa Gomes”, a embaixada dos EUA em Lisboa manda um telegrama a várias chefias militares norte-americanas espalhadas pelo mundo relatando que os jornalistas tinham indagado se era verdade que um relatório confidencial de Washington tinha imputado a Américo Thomaz e Marcelo Caetano, exilados na Madeira e Spínola e Costa Gomes, nos Açores, talvez a caminho da Guiné, o golpe militar falhado de 8 de Março (de 1974).
A 15 de Março de 1974, a embaixada dos EUA em Lisboa informa vários departamentos espalhados pelo mundo (desde o Brasil, Angola e Londres) de que a política continuava conturbado em Portugal mas que os generais Spínola e Costa Gomes se haviam comprometido a apoiar Marcelo Caetano. “Nas últimas semanas, 2 a 4 oficiais subalternos, que dizem ser líderes de oficiais de patentes inferiores que tinham em Spínola o seu mentor, foram enviados para os Açores e a Madeira”, revela o telegrama.
A 9, 10 e 11 de Abril de 1974, a embaixada do EUA em Lisboa dá conta da morte, no hotel Reid’s, na Madeira de uma cidadã dos EUA, turista, de 91 anos que residia na Suiça e informa o cônsul na Madeira Ronald Garton e a representação diplomática na Suiça e em Londres dos procedimentos a seguir.
A 23 de Abril de 1974, véspera da Revolução dos Cravos, a embaixada dos EUA em Lisboa ainda dá conta da visita a Angola do padre norte-americano de origem portuguesa, Anthony Rocha, especialista em gerontologia e administração de saúde, com passagem pelos Açores e pela Madeira... (CONTINUA... LEIA MAIS AMANHÃ)

domingo, 24 de novembro de 2013

Alma verde-rubra voltou a ferver o Caldeirão três meses depois e há nova esperança para o futuro

                                                                                                                        DR
MARÍTIMO - 3
GIL VICENTE -2

Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Marítimo respira de alívio e ganha, finalmente, ao fim de seis jornadas. Há dois meses sem vencer, verde-rubros fizeram exibição convincente que só pecou por escassa.

Pressionado para vencer, Pedro Martins apostou, praticamente, no mesmo "onze" - trocou Leoni por Wellington e o castigado Márcio Rozário por Igor Rossi -, equipa que esteve em grande nível em Alvalade e acertou em cheio. O resultado final foi, da mesma forma, 3-2 mas agora com a vitória a sorrir aos verde-rubros. E que vitória!

O nervosismo evidente nas bancadas contrastava com a concentração no relvado dos jogadores que, com uma alma imensa, e uma vontade ainda maior, dominaram toda a primeira parte, com Heldon, aos 13 minutos a traduzir no resultado essa tendência. Uma vantagem que não durou muito já que um dos maiores erros do Marítimo durante todo o jogo - falha de marcação e falta de entendimento entre Rúben Ferreira e Igor Rossi - permitiu ao Gil Vicente voltar a empatar o jogo, por Paulinho.

Os madeirenses não acusaram o golo e Derley, com um cabeceamento fulminante e indefensável, fez explodir um Caldeirão, o que há muito não acontecia.
Contra o corrente do jogo, os homens de Barcelos fizeram o 2-2 num lance bafejado sorte (livre direto marcado por César Peixoto e a bola é desviada por um jogador verde-rubro para o fundo das redes de Wellington.)

No regresso aos balneários - e com Artur no lugar de Weeks - o Marítimo entrou decidido a provar em números que era, de longe, a melhor equipa em campo e o golaço de Alex Soares, aos 55, provou-o. Até ao fim foram os madeirenses que mais estiveram perto do 4-2 do que o Gil Vicente do empate. Oportunidades que, durante os 90 minutos, foram sempre em maior número para os verde-rubros, que pelo que fizeram em campo, mereciam um resultado mais volumoso.

Os verde-rubros não venciam para o campeonato há dois meses e voltaram às vitórias nos Barreiros o que já não acontecia desde a primeira jornada, ou seja, há três meses, quando venceram o Benfica por 2-1.

O Marítimo foi mais pressionante, decidido, esclarecido e bem mais perigoso do que o adversário e conseguiu uma vitória preciosa que retira a equipa do fundo da tabela e, acima de tudo, vem trazer maior motivação a todo o plantel - equipa técnica, inclusive - para os próximos jogos do campeonato. Arouca, fora, e Nacional em casa.

Análise individual (Notas de 0 a 5)

Wellington - 3
O guarda-redes brasileiro não acusou a estreia absoluta no campeonato. Esteve seguro

João Diogo - 3
Menos ofensivo do que Rúben Ferreira mas fechou bem o flanco direito

Gegê - 4
O melhor da defesa. Sempre muito atento na marcação. Cortou um golo certo na 1ª parte

Igor Rossi - 2
Com culpas no primeiro golo do Gil Vicente. Não deu segurança ao eixo defensivo

Rúben Ferreira - 3
Divide culpas com Igor Rossi no 1º golo do Gil Vicente, mas teve um papel ofensivo importante

João Luiz - 3
Incansável no miolo verde-rubro em funções defensivas. Faltou maior acerto nas saídas para o ataque

Theo Weeks - 2
Começou bem o jogo, com muita velocidade, mas com o passar do tempo foi ficando inconsequente

Alex Soares - 4
Exibição personalizada do jovem médio vindo do Benfica, coroada com um grande golo.

Sami - 3
Jogou para o coletivo mas parece menos confiante nas jogadas individuais e nas arrancadas pela linha

Derley - 3
Ponta de lança de grande classe, fundamental nas manobras ofensivas da equipa. E marcou mais um

Heldon - 4
O melhor em campo. Endiabrado, transpira confiança e contagia a equipa. Merecia mais um golo

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Artur - 2
Entrou ao intervalo e não trouxe nada de novo à equipa.

Danilo Pereira -----------
Reforçou o meio campo verde-rubro a dez minutos do fim

Patrick Bauer --------
Poucos minutos em campo