segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pior que o resultado foi mesmo a exibição

Dois golos e muito inconformismo de Heldon foram insuficientes para a vitória

Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Nacional empata Marítimo nos Barreiros. Verde-rubros fizeram fraca exibição e perderam dois pontos em casa: 2-2 acaba, ainda assim, por ser um bom resultado, apesar de a equipa de Pedro Martins ter estado por duas vezes na frente do marcador. Mas isso vale o que vale.

Ponto prévio: uma equipa que joga em casa e só cria uma oportunidade clara, para além dos golos marcados, não fez por merecer ganhar o jogo. Foi o caso do Marítimo.

E mais. O primeiro golo dos verde-rubros aconteceu na sequência de uma oferta de Gottardi e o segundo resultou de uma grande penalidade, castigando a falta de Miguel Rodrigues sobre Derley.

Uma vez mais o Marítimo esteve em vantagem no marcador, e logo por duas vezes, mas deixou-a fugir. Um facto que perde relevo face ao fraco jogo verde-rubro, mas que pode ser sinónimo de algum relaxamento.

Jogando em casa, e a jogar com mais um jogador durante meia hora na segunda parte, o Marítimo tinha obrigação de fazer mais e melhor. A defesa voltou a revelar insegurança, o meio-campo pouco esclarecimento nas transições ofensivas e o ataque esteve desinspirado.

Outro aspecto decisivo foi o falhanço total de Pedro Martins nas três substituições realizadas; Artur não foi mais do que Danilo Dias, Rodrigo Lindoso rendeu o apagado Danilo Pereira mas o brasileiro denotou falta de ritmo competitivo; por fim, o jogador que entrou para reforçar o ataque - o avançado Fidélis - foi quem nos pareceu pôr em jogo Zainadine no lance do 2-2, num lance infeliz do brasileiro. Um erro fatal.

Nacional melhor na primeira parte
Já o Nacional foi melhor na primeira parte do que na segunda mas para além dos golos, a verdade é que só por duas vezes é que os alvinegros conseguiram criar real perigo na baliza de Wellington.

Mesmo assim, e a jogar com 10 jogadores durante meia hora, a equipa de Manuel Machado nunca deixou de acreditar no empate e foi premiada pela crença, com o 2-2, que é bem mais penalizante para o Marítimo do que para o Nacional.

Na estreia da bancada nova inacabada, os mais de 6000 adeptos que este domingo foram aos Barreiros - mais de 2000 na sequência da Caminhada Solidária - viram um jogo intenso mas pouco convincente do Marítimo.

Análise individual

Marítimo

Wellington - 3
Esteve atento e não teve culpas nos golos

João Diogo -2
Mais ofensivo na segunda parte. Teve alguns problemas com Candeias.

Gegê -2
Inseguro. Algo precipitado nas abordagens aos lances

Márcio Rozário -3
Compensou alguns erros do parceiro do eixo defensivo

Rúben Ferreira -2
Com culpas no primeiro golo do Nacional por falha de marcação

Danilo Pereira -2
Lento e previsível, pareceu jogar demasiado recuado

João Luiz -3
Correu quilómetros, mas esteve bem melhor no plano defensivo

Alex Soares -2
Pouco esclarecido nas transições ofensivas. Devia ter saído mais cedo.

Danilo Dias -2
Não conseguiu desequilibrar pelo lado direito.

Derley -3
Muito marcado pelos centrais alvinegros. Sofreu uma grande penalidade.

Heldon -4
Em grande forma, agora com mais dois golos marcados. Foi aquele que menos merecia o empate.

Artur - 1
Não acrescentou nada à equipa.

Rodrigo Lindoso - 1
Claramente sem ritmo competitivo. Inconsequente

Fidélis - 0 
Azarado. Entrou aos 80 e esteve no lance do 2-2. Pareceu-nos pôr em jogo Zainadine, quando os colegas estavam a tentar o fora de jogo.

Nacional

Gottardi -2
Ofereceu a Heldon o 1-0 com uma intervenção desastrada

Zainadine -3
Grande exibição. Uma assistência e um golo marcado

Mexer -3
"Secou" Derley. Imponente pelo ar

Miguel Rodrigues -2
Fez grande penalidade sobre Derley. Podia ter visto o vermelho

Marçal -2
Fez obstrução a Derley e viu o segundo amarelo aos 63

Ali Ghazal -3
Cumpriu com descrição, mas bem, a missão no miolo

Renato -2
Foi sacrificado ao intervalo por falta de ritmo competitivo

Diego Barcelos -3
Marcou um golo pleno de oportunidade

Rondon -3
Criou muitos desequilíbrios pelo lado direito. Foi uma grande dor de cabeça para Ruben Ferreira

Djaniny -2
O menos em jogo dos três atacantes

Candeias -3
Muito forte no 1 para 1. Na 2ª  parte falhou um golo fácil.

Claudemir -3
Entrou bem no jogo e marcou o livre que assistiu Zainadine para o 2-2.

Sequeira -2
Rendeu D. Barcelos depois da expulsão de Marçal

Mateus -2
Tentou ajudar a equipa, nem sempre da melhor forma


domingo, 8 de dezembro de 2013

Atleta, pintor e autarca desempregado


José  Ornelas começou na política na década de 90, ao ingressar num movimento de luta por água canalizada. Hoje é presidente da Junta de Freguesia do Jardim da Serra, um órgão executivo que ajudou a fundar.

REPORTAGEM
Por PATRÍCIA GASPAR
 
Aos 23 anos, José Ornelas já tinha sido emigrante e estava prestes a ser pai, mas nem isso o dissuadiu de integrar o movimento ‘Sem água não há votos’ no Jardim da Serra, numa altura em que os protestos públicos podiam equivaler a grandes transtornos pessoais.

Berço de agricultores, a povoação câmara-lobense já havia demonstrado ser terra de gente com causas aquando da eclosão da Revolta do Leite, em 1936. Todavia, na década de 90, a povoação caminhava para algo maior: a desanexação da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos.

As queixas de segregação multiplicavam-se. Os populares reivindicavam a instalação de saneamento básico e mais caminhos pavimentados. Daí ao aparecimento do movimento ‘Sem água não há votos’ foi um passo.

José Ornelas que aos 15 anos emigrara para a Venezuela havia-se habituado ao conforto garantido pela água canalizada reviu-se nas reclamações e acedeu de imediato ao protesto.

“Fui ameaçado. Os meus familiares tinham medo que fosse preso, mas isso não me importava. Costumava dizer: posso ir preso, mas o povo vai ter água em casa”, recorda o presidente da Junta de Freguesia do Jardim da Serra.

O esforço foi compensado, ‘a terra das cerejas’ conquistou o direito ao saneamento básico e aos serviços de transporte público nos sítios mais recônditos da povoação, mas tais conquistas só se efectivaram com a elevação, em 1996, do Jardim da Serra a freguesia, um acontecimento noticiado por todo o País e para o qual José Ornelas também contribuiu.

“Foi o meu envolvimento no ‘movimento da água’ que me levou a
integrar o Grupo de Cidadãos Eleitores “Seremos Freguesia Jardim da Serra”. José Ornelas juntava-se às vozes do descontentamento, numa terra onde a roupa ainda era lavada nas ribeiras, á água era transportada das fontes públicas em baldes e as crianças das zonas mais altas andavam a pé durante quase uma hora para chegarem à escola.

“Foram tempos muito difíceis. No Inverno, lavar a roupa nas ribeiras era um perigo. A água canalizada trouxe um nível de segurança e conforto que a população não estava habituada”, conta o autarca.

O social-democrata elege o dia 4 de Julho de 1996 como um dos mais felizes de sempre. Estava oficialmente criada a freguesia do Jardim da Serra, com a devida publicação em Diário da República. Um ano depois, José integrava a Comissão Instaladora da Freguesia do Jardim da Serra que elegeu Manuel Neto para presidente. 

“O Manuel Neto é, para mim, um exemplo, um professor, ele foi um lutador”, exclama José Ornelas que herdou, há pouco mais de um mês, a Junta de Freguesia liderada, desde a sua criação, por Manuel Neto.

Desde que integrou o movimento ‘Sem água não há votos’, a vida de José Ornelas intrincou-se com a evolução da vida política da freguesia.

“Depois das eleições autárquicas de 1997 (a primeira eleição para o órgão executivo da freguesia), tomei posse como primeiro presidente da assembleia de freguesia. O grupo de cidadãos liderou sozinho até 2002. Nesse ano, integrei a lista conjunta com o PSD”, lembra.

Em 2006, José Ornelas fez uma pausa na política, mantendo-se apenas como presidente da direcção da Associação Cultural e Desportiva do Jardim da Serra - cargo que desempenhava desde 1999 - até ser indicado como candidato pelo PSD, na última campanha autárquica.
 

Uma vida atribulada

 Aos 15 anos, o autarca do Jardim da Serra rumou à Venezuela, onde o irmão mais velho o acolheu por sete anos. A experiência fê-lo crescer, garante, habituado que estava aos mimos da mãe e das irmãs.
“Não me deixavam levantar uma palha. Na Venezuela, tive de aprender a me desenrascar”, confessa.

As saudades de casa fizeram-no regressar aos 22 anos. Dedicou-se à construção civil como técnico fiscal de obras e um anos depois foi pai pela primeira vez.

Para trás ficou a ambição de estudar para além do 12º ano. As contingências financeiras não o permitiram na juventude e hoje, aos 47 anos, a incerteza voltou a bater-lhe à porta, após ter perdido o emprego.


“Estou há um ano e meio no desemprego. O subsídio é a minha única fonte de rendimento. Sei o que é viver com dificuldades”, declara o autarca que é pai de três filhos.

Se pudesse, José Ornelas licenciava-se em Educação Física ou em Educação Visual, mas a falta de um canudo não o impede de se dedicar às suas paixões.


O presidente da Junta de Freguesia do Jardim da Serra pratica atletismo, orientação, trail-running e até já ganhou medalhas. Quanto aos quadros que pinta, José distribui-os pela família. “Só os venderei, um dia, quando puder cobrar milhões”, brinca.

Discurso directo/José Ornelas:


A sua indicação como candidato do PSD-M gerou alguma polémica. O que diz às pessoas que acusam Manuel Neto de o ter escolhido como uma estratégia para manter o poder de decisão na junta de freguesia?
"Ele não me escolheu. Ele indicou várias pessoas, quatro no total, mas a escolha foi do Pedro Coelho, actual presidente da Câmara com aval do PSD regional... as pessoas às vezes falam sem saber o que se passou e por isso dizem mal... outras dizem bem, enfim, não podemos mudar a mentalidade de cada um".


Quais são as  prioridades do seu mandato?
"Vamos dar continuidade ao trabalho da anterior direccão em todas as áreas. Queremos apostar na agricultura, nos caminhos agrícolas. Vamos criar um roteiro turístico para a freguesia e dota-la de um mercadinho para que os agricultores e artesãos locais possam expor os seus produtos".


O que é que mais gosta no Jardim da Serra?
"No Jardim da Serra, gosto de tudo,...  das cerejeiras em for, das cerejas para comer, da paisagem, das pessoas. A nossa freguesia tem muito para oferecer e isso vai ser demonstrado através do roteiro turístico que estamos a preparar".

sábado, 7 de dezembro de 2013

Pedro Martins e Manuel Machado estão empatados nos duelos entre ambos na Liga: quem desempata?


Por SÉRGIO FREITAS TEIXEIRA

Numa altura em que o ambiente aquece, e muito, fora do relvado, o Domínio Público antecipa o dérbi deste domingo com o foco nos treinadores e mostra as curiosidades do percurso de Pedro Martins e de Manuel Machado. E estão empatados no confronto entre ambos na Liga, à frente do Marítimo e do Nacional.

Pedro Martins tem 43 anos, é treinador principal desde 2006 e há quatro anos "saltou" pela primeira vez para o comando de um clube da Liga, no caso, o Marítimo. Manuel Machado tem 58 anos é treinador principal desde 1995 e tem já no currículo 15 presenças na Liga ao comando de seis clubes distintos. Curiosamente, ambos têm mais ou menos o mesmo tempo à frente das equipas técnicas verde-rubras e alvi-negras respetivamente: cerca de quatro épocas cada. A exceção é que Manuel Machado já saiu e voltou à Choupana três vezes em alturas diferentes.

Estes são os dois homens que este domingo vão guiar os jogadores para mais um dérbi regional, o dérbi de todos os dérbis, o jogo de todos os jogos na Madeira. Apesar de os dois treinadores já terem um percurso relativamente longo em cada clube, este será só terceiro dérbi que vão disputar entre si. Os restantes aconteceram precisamente na época passada.

E quem leva a melhor? Pedro Martins ou Manuel Machado? Pois bem, o resultado é um empate, com um ligeiro sinal mais para o treinador verde-rubro. Ou seja, nos Barreiros Pedro Martins foi rei e senhor. Guiou a equipa à vitória sobre o rival por 2-0, com golos de Fidélis e de Sami, curiosamente a 9 de Dezembro, precisamente um dia depois do dérbi no Caldeirão deste ano.
Já na Choupana, Machado impôs a lei. Vitória do Nacional, mas pela margem mínima. 2-1 no marcador, com golos de Candeias e Claudemir. Suk fez o golo de honra verde-rubro que dá também uma curta vantagem para Martins no duelo com Machado, isto apesar do empate.

Antes da temporada passada ambos nunca se tinham cruzado no relvado, já que Pedro Martins só ascendeu à equipa principal do Marítimo no final de 2010. Nesse mesmo ano, mas alguns meses antes, Manuel Machado abandonava o comando técnico alvi-negro ao fim de duas épocas na Madeira.

Martins e Machado, ambos já fizeram história nos respetivos clubes
Metódicos, organizados, rigorosos e muito disciplinados, quer Pedro Martins, quer Manuel Machado sabem que já fizeram história nos rivais da ilha. Sabem também que têm o carinho e admiração dos respetivos adeptos por tudo o que têm atingindo nos clubes. O que não sabem é quem irá sorrir este domingo. Para que lado da balança pode pender o eventual desempate entre os líderes do balneário? A resposta será conhecida... um pouco antes das 18 horas deste domingo! E você, o que acha?

Domínio Público atento ao jogo que pára a Madeira!

                                                                                                                       JM
Já falta pouco para o jogo mais aguardado da Madeira. O dérbi entre o Marítimo e o Nacional é já amanhã às 16 horas, no Estádio dos Barreiros, e como não podia deixar de ser o Domínio Público não podia passar à margem do jogo. Esta noite, com um artigo especial que servirá de lançamento à partida e amanhã lá estaremos no Caldeirão! Que seja um dia de festa para os madeirenses, haja espetáculo no relvado, com muito fair-play dentro e fora dele. No fim, que vença a melhor equipa!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Criada equipa de coordenação ribeiras/novo cais de cruzeiros

Por EMANUEL SILVA
Por despacho conjunto de Cunha e Silva e Conceição Estudante, foi criada uma equipa de coordenação para proceder ao acompanhamento dos trabalhos da obra de “Intervenção nos Troços Terminais das Ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes”, a qual inclui a valorização urbanística do depósito de inertes constituído a nascente do Cais do Funchal.
A obra de “Intervenção nos Troços Terminais das Ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes” inclui a valorização urbanística do depósito de inertes constituído a nascente do Cais do Funchal, na sequência imediata à aluvião de 20 de fevereiro de 2010, obra esta da responsabilidade da Vice-Presidência do Governo Regional (VP), através da Direção Regional de Infraestruturas e Equipamentos (DRIE).
Refira-se que estão em fase de conclusão os trabalhos preparatórios do Novo Cais de Cruzeiros, localizado diante do depósito de inertes referido anteriormente, obra esta da responsabilidade da APRAM -Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira, SA (APRAM).
"Findos tais trabalhos preparatórios, a obra da APRAM começará a ter implicações diretas com a obra da VP/DRIE, o que recomenda uma adequada coorde- nação entre as mesmas, designadamente quanto aos processos de dragagem e fase final de ligação física entre as duas obras", justifica o despacho hoje publicado.
Uma das implicações da obra do Novo Cais de Cruzeiros é a de proteger o novo espaço de lazer e fruição pública a criar no local onde se situava o depósito de inertes, o que traduz uma relação de complementaridade entre as referidas obras.
Tal complementaridade recomenda que a obra do Novo Cais de Cruzeiros seja acompanhada por um grupo técnico afeto aos dois donos de obra, de forma a permitir a adequada coordenação e articulação dos aspetos técnicos associados à execução, programação e interligação física ente esta obra e a da VP/DRIE.
A equipa de cooredenação terá de "compatibilizar metodologias de trabalho, definir zonas de intervenção conjunta e compatibilizar calendários de execução de obra". Foi, assim, recomendável a constituição de uma equipa de coordenação conjunta, com representantes de ambos os donos de obra.
""al equipa de coordenação permitirá agilizar procedimentos, facilitar soluções de compatibili- zação entre as duas obras e garantir que decisões unilaterais de um dos donos de obra não afete negativamente a execução da outra obra, devendo, por conseguinte, envolver não só os dirigentes máximos de ambos os organismos mas também representantes do seu corpo técnico", justifica o despacho.
Assim, Alexandra Mendonça, presidente do Conselho de Administração da APRAM e Daniel Figueiroa, Diretor Regional de Infraestruturas e Equipamentos foram designados para dirigir a equipa de coordenação, que deverão nomear dois representantes de cada um dos organismos para integrar a referida equipa.
Competirá à equipa de coordenação proceder ao acompanhamento dos trabalhos da obra do Novo Cais de Cruzeiros, cuidando de garantir a sua boa articulação, analisar e propor as melhores soluções técnicas de compatibilização dos trabalhos e da sua calendarização e bem assim avaliar todas as questões técnicas que possam surgir no decurso dos trabalhos no terreno.
A equipa de coordenação manter-se-á em funções até à conclusão da obra do Novo Cais de Cruzeiros.

Mandela foi um "defensor acérrimo dos direitos humanos"


O Representante da República para a Madeira e ex-juiz no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, Ireneu Barreto enviou hoje uma mensagem de condolências relativa ao falecimento do Ex-Presidente Nelson Mandela.
É o seguinte o teor da mensagem de condolências:
“Foi com profundo pesar que recebi a notícia da morte de Nelson Mandela.
Nesta hora de grande tristeza, quero enaltecer o papel preponderante do Ex-Presidente da República da Africa do Sul na luta contra o “apartheid” e na edificação da união de todo o seu povo como Nação.
Defensor acérrimo dos direitos humanos, Nelson Mandela foi sempre apontado como exemplo único de coragem, de tolerância e de fraternidade.
Como Representante da República Portuguesa na Região Autónoma da Madeira e como madeirense, desejo expressar as minhas sentidas condolências, extensíveis à sua mulher Graça Machel e restante família, ao povo da Africa do Sul e a todos aqueles que sentem este País como sua Pátria". E.S.

Jardim da Serra conta ter quinta pedagógica com museu e laboratório de investigação até 2015

A Quinta Leonor já é utilizada actualmente para
a prática de agricultura biológica

Junta diz que os trabalhos estão
“em bom ritmo” e anuncia ‘mercadinho’
no centro da freguesia

 

Por PATRÍCIA GASPAR
Anunciado desde 2009 e uma das promessas centrais da campanha social-democrata nas últimas eleições autárquicas, o projecto de requalificação da histórica Quinta Leonor, com a instalação de um Centro de Desenvolvimento Agrícola e Sociocultural no Jardim da Serra, parece estar finalmente a caminho de ser concretizado.
José Ornelas, líder da Junta de Freguesia do Jardim da Serra, garante que os trabalhos “estão em bom ritmo” e que até 2015 a população vai poder usufruir daquele espaço. “Estamos convictos de que a Quinta Leonor ficará concluída até meados de 2015, é uma grande probabilidade”, declara.

O autarca social-democrata dá conta de um projecto ambicioso que inclui a criação de um museu etnográfico e de um laboratório de investigação, relacionado com a recolha, a preservação e a reprodução da biodiversidade agrícola madeirense.
“Para além da quinta pedagógica, pretendemos também instalar naquele espaço um atelier, uma oficina, uma casa de chá e um parque infantil”, adianta José Ornelas, enfatizando “a utilidade” do projecto para os locais e visitantes.

Roteiro turístico em marcha

Rentabilizar as potencialidades turísticas do Jardim da Serra é o objectivo da actual liderança da Junta de Freguesia que vai avançar, numa linha de continuidade, com um roteiro turístico direccionado para as zonas de produção e de cultivo da cereja.

“O nosso roteiro pretende divulgar e fazer justiça à beleza do Jardim da Serra e de sítios únicos como a Boca dos Namorados, a Boca e Levada da Corrida, a Quinta do Jardim da Serra –­ que dizem os antigos tem a árvore mais alta da Madeira, um ‘Eucaliptus Globulos’ ­­­- a Levada do Norte e ‘a zona da Aguagem’: uma queda de água de 50 metros com uma vista fantástica”, explica José Ornelas.

O autarca anuncia ainda a criação de ‘um mercadinho’ no centro da freguesia cujo objectivo é dar aos agricultores e artesãos locais a possibilidade de exporem produtos regionais, contribuindo para a sua preservação no contexto local.
Em tempo de contenção, o presidente da Junta do Jardim da Serra diz contar com “a ajuda de 30 pessoas do Programa Ocupacional de Trabalhadores Subsidiados do Instituto de Emprego da Madeira” para concretizar os projectos em carteira.

Uma quinta muito cobiçada

Localizada no Caminho dos Murinhos, junto ao hotel do Jardim da Serra, a Quinta da Leonor é constituída por uma residência, com características típicas das antigas quintas madeirenses, e um terreno agrícola.
A propriedade pertenceu, diz o dicionário corográfico câmara-lobense, primitivamente a Henry Veitch, o mesmo proprietário da Quinta do Jardim da Serra, um facto comprovado em 1877, por um auto de penhora feito pela Fazenda Pública aos rendimentos provenientes das propriedades do já falecido Henry Veitch.

Até ao século XX, o espaço passou a ser propriedade do Governo Regional cujo objectivo era ampliar a Escola Básica do 1º ciclo do Jardim da Serra. Certo é que a Quinta do Leonor foi sempre cobiçada, com vários partidos e organismos, entre eles o movimento ‘Seremos freguesia do Jardim da Serra’, o PSD-M e a CDU-M, a reivindicarem a sua rentabilização para fins públicos.

Em finais de 2008, princípios de 2009, a propriedade foi pretendida pela Confraria das Carne para instalação de um centro gastronómico, uma pretensão contrariada pela Junta de Freguesia do Jardim da Serra.
Por deliberação do Conselho de Governo de 12 de Março de 2009, as áreas disponíveis da Quinta Leonor foram então cedidas, por um período de dez anos,  à Junta de Freguesia do Jardim da Serra para a instalação de um Centro de Desenvolvimento Agrícola e Sociocultural, um sonho, realça o actual líder da Junta, José Ornelas, prestes a se concretizar”.